domingo, 14 de dezembro de 2008

Meu amigo, o Drama.

Toda vez é a mesma coisa. Eu começo, escrevo quatro ou cinco linhas, leio e apago. Daí eu choro horrores, porque, como posso eu não conseguir escrever quando escrever é a única coisa que eu quero?
Toda vez é a mesma coisa. Daí eu fico toda triste e fazendo a linha Scarlett O’Hara. Coloco um dos cds do Yann Tiersen e me acabo aqui no meu quarto vendo o que o futuro reserva pra mim. Uma solidão.
Não contente em ficar triste só por não conseguir expressar o que eu sinto na folha de papel do meu Windows Office, eu me agarro ao meu velho amigo, o drama, e começo a me perguntar o que há de tão errado comigo? O por que eu não conseguir um namorado, o por que eu ainda viver em uma cidade em que eu não me vejo, o por que eu ainda estar em um trabalho que eu não gosto e o por que eu tenho medo de me jogar em outro, me jogar na vida!
É tanto medo pra uma pessoa só, e olha que eu sou magrinha, magrinha. Sério, eu poderia ser uma dessas modelos que aparecem na Vogue de tão magra. Mas não, eu não quero estar numa das páginas da Vogue com a minha magreza, eu quero estar numa das páginas da Vogue com as minhas palavras, mas como eu vou estar lá dentro se aqui fora eu não consigo escrever nada sobre nenhum assunto?
E veja só quem veio dar o ar da graça aqui novamente? Ele, meu eterno e velho amigo, o drama!
Drama, eu te amo e você sabe que não consigo viver sem você. Sério! Eu simplesmente não consigo viver sem você e acho que é isso que torna a minha vida, pra mim, tão interessante. Ia ser tão entediante se de repente, tudo fosse simples e fácil. Como algumas pessoas conseguem não ter você como amigo? Você é o máximo!
Mas olha, como em toda relação, de amizade ou amorosa, eu também preciso de um pouco de espaço, porque você sabe que quando tudo é demasiado, perde-se um pouco a noção real das coisas, e eu acho que a nossa relação está nesse nível, então eu te peço encarecidamente que me de um pouco de espaço.
Eu preciso desse espaço! Eu preciso ver as coisas por mim mesma, eu preciso senti-las sem a sua ajuda, eu quero isso e se você não conseguir entender o favor que estou te pedindo, bem, aí tudo vai se complicar.
Eu vou ficar arrasada, vou começar a achar que não há um motivo verdadeiro para se viver neste mundo de caos, vou começar a acreditar que não há futuro brilhante algum pra mim como eu sempre imaginei, vou ficar tão chata e olha, só não vou envelhecer como essas velhas que tem uns oito gatos que moram junto a elas, porque eu prefiro cachorros.
Então, meu querido draminha, me respeite! Se você me ama o tanto quanto eu te amo, me de espaço, ar, deixe que eu respire.
Não te peço que sumas da minha vida. Viaje um pouquinho para outros cantos, conheça coisas novas, eu farei isso.
Seremos muitos mais felizes quando nos encontramos novamente. Ainda seremos amigos e ainda seremos uma dupla interessante, mas por enquanto, vivamos nossas vidas, cada um pro seu lado.
Drama, entenda... As descobertas das coisas são melhores quando são feitas por nós mesmos.